Prédios, viadutos e memórias




Depois de ter aberto as gavetas e de ter brincado com a arte o design e tudo que nos envolve, vem o desafio, será que fora dos livros conseguimos aplicar tudo aquilo.
No centro de São Paulo alguns prédios de época ainda sobrevivem à modernidade e a falta de memória paulistana. “Tudo pelo progresso”, e nesse lema algumas obras incríveis são substituídas por arranha-céus de vidros.
Antes que se percam talvez devêssemos apreciar mais o viaduto do Chá, além de ser um dos caminhos para 25 de março, ele é um dos exemplos de Art Deco em São Paulo, originalmente construído 1892, mas com o aumento do trafego e do crescimento da cidade ele teve que ser reconstruído em 1938, data-se daí o novo Viaduto do Chá, projetado por Elisário Bahiana. Com linhas simples e em concreto armado é um dos exemplos mais vivos de art deco na capital paulistana.
Outra parte de uma historia viva no cotidiano, é o viaduto Santa Efigênia que demorou uma década para ser construído. Inaugurado em 26 de setembro de 1913. Com características art nouveau da belle époque do inicio do século.Quando andamos nas ruas não percebemos que elas também são livros abertos que é mais fácil procurar a arte perto de nos do que sempre ver exemplos em livros.

Palavras soltas e desabafos de outros.

Por que temos a péssima mania de querer transformar movimentos artísticos como se fossem formulas de física?Acabou um, começou outro, abre e fecha a fenda temporal, “é a vez do Rococó” e tudo automaticamente se enche de volutas e ornamentações exageradas. Como um grande livro cheio de tópicos e distinções. Tudo bem que é pra facilitar a vida do estudante, mas no fundo transformamos nossa cabeça em um grande gaveteiro e cada conhecimento tem seu devido lugar. Não quero mais gavetas, quero baús daqueles que perdemos os pensamentos enrolados no teorema de Pitágoras. Esquecemos que por traz das obras de arte existem pessoas e que elas, assim como nos, são resultados de transformações diárias. As transições são tão ricas quanto os próprios movimentos, por que nelas podemos ver o homem ousando em ser diferente, um homem que não estava satisfeito com ordens vigentes e tentava buscar novas técnicas que o deixa-se confortável.Certo que alguns até exageram na dose, Chagall, por exemplo, não seguia o calendário normal, não que ele tenha feito isso para fazer tipo, e sim para seu conforto. Se chagall queria começar seu ano depois das festas de inicio de ano que mal há.Para os mais desavisados o começo do século XX foi um grande caos, onde tudo aconteceu, guerras mundiais, revolução russa, revolução chinesa, estado novo de Vargas, quebra da bolsa de Nova York, etc.As vanguardas que faziam à arte, cinema e literatura nessa época, talvez nunca mais se repitam, não por falta de competência nossa, mas por falta de contexto, naquela época tudo mudava tínhamos acabado de sair do século XIX, e as maquinas começavam a substituir o homem e o capitalismo achava seu grande companheiro, a indústria.Tudo cheirava novos ares, se era hora de romper com tradições era o momento certo. E assim os muros foram caindo. Não pense você caro leitor que todos concordaram e admiraram o que havia por vir, criticas eram constantes aos modernistas brasileiros, por exemplo, as platéias no teatro municipal não sabiam como agir no poema “os sapos” de Manuel bandeira, declamado por Ronald de Carvalho, decidiram quachar. Artistas foram condenados por Hitler, o salão dos renegados serviu de exemplo para a população do que não era considerada arte. Chagall pintor recorrente neste blog teve suas obras expostas no salão. Van Gogh não vendeu nenhum quadro quando era vivo. Isso tudo para mostrar que não foi tão simples romper barreiras, não foram mudanças indolores. Depois de todo desabafo chega à hora de abrir as gavetas e entulhar tudo dentro dos baús, sem medo de se perder, conseguir unir todo o conhecimento vira desafio. Brinque na loucura, não tenha medo de não saber todas as características do rococó, a partir do momento que você entende homem o movimento se decifra.